Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Rua de Santa Catarina

Ao fundo, os pedreiros
velam a bela adormecida.
Só o Porto podia ser
um principado de pedra.
Há porém sítios, a muito custo
conquistados,
que tropas mal equipadas
perderam para o inimigo,
não tendo sido possível repelir
a ruína
que o demónio do esquecimento
equipou para durar.

Mas não há silvas ou plásticos,
heras, entulho, carcaças de carros,
desperdícios de garagem
ou fornos crematórios,
capazes de fazer esquecer
tudo o que tem por destino

a vala comum.

Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

Escrito por loucomotiva em 03:04:44 | Link permanente | Comments (3) |
Comentário
1 - Bonito lay-out. Boa ideia e bom poema.

Há realmente uma ambiência, um modo de ser, uma maneira funda de encarar a vida, que só quem aqui nasceu e vive, pode entender, na sua totalidade.

Parabéns e bons augúrios.

I. L. (Comentar)

Escrito por: vidainvoluntaria em 2006/12/06 - 16:32:15
2 - Lindo! Bom aspecto global. Belo este cinzento que lhe dá um tom "quasi chic". Parabéns ao Jorge e ao Rui. Só faz quem tem muito que fazer...
Dois abraços.
Amílcar (Comentar)

Escrito por: AMÍLCAR VASQUES DIAS em 2006/12/06 - 20:41:30
3 - Obrigado pela visita e pelos comentários, Inês Lourenço e Amílcar. Vamos lá ver se eu e o Jorge arranjamos tempo para manter a vala aberta...! (Comentar)

Escrito por: Rui Lage em 2006/12/06 - 21:27:26
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