Sábado, Dezembro 16, 2006

Jorge não se recorda onde

Moram aqui, costumam reunir-se
à tardinha, depois do trabalho,
nas imediações do sol.

Se for a tempo, ainda as encontra
encostadas ao muro.
Gostam de escutá-las a viela,
o velho tanque ao fundo,
as ervas daninhas,
a sombra de um gato.
Mas saiba desde já
que não dirigem a palavra
a quem passa, nem tampouco
facultam informações acerca
dos vizinhos.

Ficarão à espera que passe
para abrirem as cartas
sem nada a esconder
umas das outras.

De todas a mais jovem,
só a de cá, porém,
aprendeu a ler
e desconhece por ora a ferrugem
(apaixonou-se pelo carteiro,
mas a timidez
não a levará muito longe).

Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

 

Escrito por loucomotiva em 02:17:55 | Link permanente | Comments (1) |
Comentário
1 - muito bom poema! (Comentar)

Escrito por: manuel a. domingos em 2006/12/27 - 23:02:08
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