Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Avenida da Ponte, perto da Estação de S. Bento

Enquanto não chega o comboio
que o há-de levar às piscinas da Granja,
atalha o átrio de S. Bento
imune aos painéis de Jorge Colaço
e à fronha do Egas Moniz
para esticar as pernas na Praça Almeida Garrett,
onde evita, a custo,
o atropelamento e fuga.

De chinelo de praia,
toalha ao ombro,
óculos de sol
e auriculares nos ouvidos,
atravessa a Rua do Loureiro
por pouco não falhando
a mais recente instalação
de arte contemporânea.

O título, Oliva,
o artista, desconhecido.

S. Bento teria dito:
ponham-lhe ao menos uma cruz em cima.

Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

Escrito por loucomotiva em 18:26:55 | Link permanente | Comments (3) |
Comentário
1 - Tu cresces a olhos vistos, Rui. (Comentar)

Escrito por: Rui Amaral em 2007/02/28 - 17:46:55
2 - Ehehehe... é de um adubo que eu cá sei ;) Abraço. (Comentar)

Escrito por: Rui Lage em 2007/02/28 - 18:03:52
3 - Meninos,

Tendes aqui quase um livro, não só do burgo mas da vida toda, desde as pedras às casas, às almas e aos corpos. Do que há e já não há.
Cada vez mais acho que o público da poesia seria reconquistado por estes modos de escrita.
Mas, ainda se insiste por aí em marzinhos e outros epigonismos recalcitrantes.ou epigramas grotescos ou êxtases de pacotilha.
Gostei muito daquele poema da ponte e do túnel. Neve e Monte Branco com a nossa "inquinada" escarpa...Gostei desse contraste, ironicamente carinhoso ou saudavelmente triste..

I. L.
 (Comentar)

Escrito por: vidainvoluntaria em 2007/03/03 - 04:50:40
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