Avenida da Ponte, perto da Estação de S. Bento

Enquanto não chega o comboio
que o há-de levar às piscinas da Granja,
atalha o átrio de S. Bento
imune aos painéis de Jorge Colaço
e à fronha do Egas Moniz
para esticar as pernas na Praça Almeida Garrett,
onde evita, a custo,
o atropelamento e fuga.
De chinelo de praia,
toalha ao ombro,
óculos de sol
e auriculares nos ouvidos,
atravessa a Rua do Loureiro
por pouco não falhando
a mais recente instalação
de arte contemporânea.
O título, Oliva,
o artista, desconhecido.
S. Bento teria dito:
ponham-lhe ao menos uma cruz em cima.
Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

Tendes aqui quase um livro, não só do burgo mas da vida toda, desde as pedras às casas, às almas e aos corpos. Do que há e já não há.
Cada vez mais acho que o público da poesia seria reconquistado por estes modos de escrita.
Mas, ainda se insiste por aí em marzinhos e outros epigonismos recalcitrantes.ou epigramas grotescos ou êxtases de pacotilha.
Gostei muito daquele poema da ponte e do túnel. Neve e Monte Branco com a nossa "inquinada" escarpa...Gostei desse contraste, ironicamente carinhoso ou saudavelmente triste..
I. L.
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