Rua D. Afonso Henriques

Desfila, peço-te,
enquanto o sol apadrinha
o cimento da calçada,
desfila a tua saia dançarina,
bem torneada.
Não me verás empoleirado
no púlpito dos andaimes,
nenhum assobio ou piropo,
nenhuma frase de engate.
Se não for essa a porta do amor,
sê paciente (não te voltes para mim):
atrás de outras portas
toda a cidade escuta
e reúne coragem
para te convidar a sair.
Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira



