Estaleiro do Ouro: Davy Jones’ Locker
Sigo no encalço do poente
que se cumpre em Lordelo
e da Ceuta que as naus olvidaram
entre os limos o verdete as tábuas
no estaleiro um vazio
me apodrece de saudades
de traineiras semi-afundadas
ainda que lá dentro,
como em porão de navio negreiro
entre seringas limões caranguejos
drogados ferrassem o galho
e o pescoço os pés o joelho.
Que falta me fazem as rombas carcaças
de quilhas empenadas,
o convés qual sobrado de casebre aluído,
vigias lambidas pelo sal das marés
proa cabisbaixa na língua do Cabedelo,
ou ermidas, crucifixos repassados de luz,
madeiro ungido não sei de que negrume
e do precário lavor
de tantas mãos de marceneiro,
e agora José, de nojo
não se farão rogados
ao cheirar teus andrajos:
mas quem vestirá
de luto por ti?
E porque não te perdoaste
os que te haviam perdoado?
E porque te abandonaste, ó Kursk de faina
na fossa de Mariana
ou de outra agarrada qualquer?
Fico sempre com pele de galinha…
Pus-te lá no meu porto bem acompanhado:)
Obrigada, Rui
Nunca deixem de actualizar !!!!!!
There is no such thing as failing at blogging.
your space is amazing!