Travessa do Freixo

A sua vida é escarpada:
não abordes, Romeu
suas vertentes de ânimo leve
de grampos e cordas precisarás.
Ou isso, Romeu, ou te atiram
- irmãos, pais e vizinhos -
do alto do seu amor
pondo fim ao sonho de assentares
em vigas gémeas,
ao Douro cobiçando
o affair da Ponte do Freixo.
Se ousares a escalada vê bem
onde assentas o pé:
são de zinco os alpendres
e varas no lixo buscadas
sustentam solitárias a paleta
que o sol trouxe de Mântua,
Arles e Santorini:
não te escape o pé no salitre
que ao longo da muralha desce
e venhas depois com a cantiga
de que eras cotovia.
Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira