Wednesday, December 31, 2008

Travessa do Freixo


A sua vida é escarpada:

não abordes, Romeu

suas vertentes de ânimo leve

de grampos e cordas precisarás.

Ou isso, Romeu, ou te atiram

- irmãos, pais e vizinhos -

do alto do seu amor

pondo fim ao sonho de assentares

em vigas gémeas,

ao Douro cobiçando

o affair da Ponte do Freixo.

Se ousares a escalada vê bem

onde assentas o pé:

são de zinco os alpendres

e varas no lixo buscadas

sustentam solitárias a paleta

que o sol trouxe de Mântua,

Arles e Santorini:

não te escape o pé no salitre

que ao longo da muralha desce

e venhas depois com a cantiga

de que eras cotovia.

Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

Posted by loucomotiva at 12:37:42
Comments

3 Responses to “Travessa do Freixo”

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  2. coupons tag says:

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  3. Célia Gonçalves says:

    É poema de trabalho permanente?

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