Prós & Contras – A Nova Avenida dos Aliados

(com a participação especial de Mel Gibson)
Enquanto o espelho de água
não gera focos de infecção,
e o socalco da piscina não serve
de jacuzzi a mosquitos
e os meninos da Ribeira aqui vierem
ruidosos patinhar, lembrando
os patos da infância
em fila indiana
(linha de coca para Deus snifar)
e Serralves lhes invejar
as assemblages improvisadas
de sapatilhas e calções,
e porque a sapato dado
não se olha o dente,
e porque há dias em que apetece
agradecer terem-nos dado
mais avenida para olhar
menos ocupada com flores
de sacada ou a vasos afeitas,
porque amores-perfeitos são estes
sentados nas cadeiras,
as tão generosas, de armar,
algumas com toalhas de banho
e aparas de pardais, sim
apetece mais o declive
entre os Paços e o Palácio
das Cardosas, mesmo que agora
um gajo corra o risco de enfiar
as trombas no pior sítio
do cavalo de D. Pedro,
de rabo, se quereis saber,
virado para o lado certo.
Quanto às árvores, dai-lhes
tempo para copar os eleitores
que os quatro cantos enfim
vislumbram da sala de visitas,
amouriscada que estava de calcário
com vindimas e bois démodé.
Já o crepúsculo dá cartas
na esquina do Guarani,
o sol nas empenas
de arco e flecha lanceiro
acelera além de S. Bento,
espalho-me ao comprido
de cinza e pedra vestido
e apetece-me então dizer
bela Chernobyl de bairro
nos servis, ó edis,
boa seria para filmar
os Mad Max restantes:
guerreiros da estrada
há-os em quantidade
(e motos da morte
com um pouco de sorte)
mas sem nuvens radioactivas,
mutantes, ignóbil calcário do sul
(ou civis), Mel Gibson
voltaria a rodar no Outback
de New South Wales,
um pouco menos deserto
pós-moderno e minimal,
e com a enorme vantagem
de não ser mobilado
pela infame JC
(Decaux).
