Miragaia sem som

Falta som neste poema
e nem o silêncio é silêncio
(por defeito,
ou porque uma imagem
é calada por natureza).
Quanto à varanda,
mantém-se forma e função:
suporte de lençol lavado no tanque,
torre de onde se espiam os vizinhos
enquanto se barra o pão com manteiga,
ou se cospe,
quando não há melhor diversão
(e se chegou da escola mais cedo e é Verão),
refrescando a careca reluzente
de algum velhote mais catita.
Mas um nome,
esse não tem como ficar:
nem mesmo o do corpo saído do banho
e amado a coberto da manhã.
O nome da avó herdá-lo-á,
com sorte, a neta.
Já o neto, como ia dizendo
antes de matutar nestes versos
- Ó Bítor meu filho da puta!!!
Sobes ou vou chamar o teu pai?!
Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

JC Monteiro (Comentar)
gostei muito dos teus poemas, continua que eu vou voltar cá para ler mais...
bjos
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sabugo7@hotmail.com (Comentar)