Segunda-feira, Agosto 27, 2007

Miragaia sem som

Falta som neste poema

e nem o silêncio é silêncio

(por defeito,

ou porque uma imagem

é calada por natureza).


Quanto à varanda,

mantém-se forma e função:

suporte de lençol lavado no tanque,

torre de onde se espiam os vizinhos

enquanto se barra o pão com manteiga,

ou se cospe,

quando não há melhor diversão

(e se chegou da escola mais cedo e é Verão),

refrescando a careca reluzente

de algum velhote mais catita.


Mas um nome,

esse não tem como ficar:

nem mesmo o do corpo saído do banho

e amado a coberto da manhã.


O nome da avó herdá-lo-á,

com sorte, a neta.

Já o neto, como ia dizendo

antes de matutar nestes versos

- Ó Bítor meu filho da puta!!!

Sobes ou vou chamar o teu pai?!

 

Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira

Escrito por loucomotiva em 18:45:51 | Link permanente | Comments (3) |
Comentário
1 - Como leitor atento dos poemas do Rui e apreciador da tua fotografia, quero dar os parabés por estes pedaços de cultura que me mandas janela adentro.
JC Monteiro (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2007/08/27 - 20:00:05
2 - ola!
gostei muito dos teus poemas, continua que eu vou voltar cá para ler mais...
bjos
 (Comentar)

Escrito por: Carolina em 2007/08/27 - 20:49:08
3 - Oi,estava procurando algo sobre o gênero picaresco e vim parar por aqui,me surpreendeu tua escrita,muito envolvente por sinal,voltarei !
sabugo7@hotmail.com (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2007/09/04 - 16:51:11
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